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Política

PF: Ibaneis pediu reunião na Suíça com Vorcaro, e ali começou a conversa BRB-Master

Relatório enviado ao STF aponta encontro em Zurique, em 23 de janeiro de 2025, como marco inicial da compra do Master pelo banco público do DF. A defesa de Ibaneis nega interferência.

PF: Ibaneis pediu reunião na Suíça com Vorcaro, e ali começou a conversa BRB-Master
Foto: Agência Brasília from Brasília, Brasil / CC BY 2.0 (Ibaneis Rocha)

Um encontro em Zurique, na Suíça, em 23 de janeiro de 2025, está no centro do novo capítulo do caso Master. Segundo relatório da Polícia Federal enviado ao Supremo Tribunal Federal, foi ali que começou a ser discutida a compra do Banco Master pelo BRB, o banco público controlado pelo governo do Distrito Federal.

Quem estava à mesa

De acordo com a PF, participaram da reunião o então governador do DF, Ibaneis Rocha (MDB), o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que controlava o Master na época. Uma quarta pessoa, identificada apenas como Leonardo, também esteve presente.

Para os investigadores, o encontro marcou o início das tratativas para a aquisição da instituição financeira pelo banco público.

Quem pediu o encontro?

Mensagens extraídas dos celulares de Costa e de Vorcaro, segundo o relatório, indicam que foi Ibaneis quem pediu a reunião. Em 20 de janeiro, três dias antes, o então presidente do BRB avisou o banqueiro de que o então governador havia solicitado o agendamento.

O plano vinha de antes

O documento da PF também sugere que o enredo foi montado muito antes da viagem. Em outubro de 2024, o BRB colocou ações no mercado para captar até R$ 1 bilhão e ampliar seu capital social.

Naquele período, Paulo Henrique Costa já discutia uma estratégia de integração com o Master. Em uma mensagem, o então presidente do BRB escreveu que seria preciso preparar “a história toda que vamos contar em três meses da consolidação e do novo banco”.

Para a PF, as conversas sugerem que a aquisição e a integração das duas instituições já eram planejadas antes dos atos formais da negociação.

O papel de Ibaneis sob a lupa

A PF também investiga a atuação de Ibaneis na condução do BRB. Segundo o relatório, decisões estratégicas do banco passavam pela análise prévia do então governador. Os investigadores afirmam que ele atuou em questões ligadas ao aumento de capital, à estratégia de expansão e à articulação com agentes privados envolvidos na operação.

A defesa reage

Os advogados de Ibaneis afirmam que o relatório confirma a posição apresentada desde o início da investigação. Negam que o ex-governador tenha pressionado o BRB ou interferido nas negociações.

Em nota, a defesa sustenta que Paulo Henrique Costa tinha autonomia para conduzir as tratativas em nome do banco. Diz ainda que o contato entre Ibaneis e os dirigentes do BRB ocorreu em contexto institucional e que o ex-governador não aparece como interlocutor direto nas mensagens trocadas com Vorcaro.

O que vem agora

O relatório foi enviado ao STF no âmbito das investigações sobre a tentativa de aquisição do Master pelo BRB. Cabe agora à Corte e aos investigadores avaliar o peso dessas mensagens e a versão da defesa. Quem pediu o encontro, quem decidiu e até onde foi cada um são perguntas que seguem em aberto.

Análise do Giro

Banco público é dinheiro do contribuinte, e decisões desse tamanho exigem transparência total e governança técnica, sem confundir interesse público com conveniência política. Ibaneis tem direito à presunção de inocência e à defesa, e o relatório da PF não é condenação. Mas o caso reforça o argumento de quem defende menos Estado no setor financeiro: quanto mais perto o poder político está do caixa de um banco, maior o risco para quem paga a conta.

Com informações de Revista Oeste.

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