O PT decidiu ir atrás do mensageiro. O partido pretende pedir à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República que identifiquem todos que visitaram Daniel Vorcaro na prisão e tiveram acesso a equipamentos capazes de gravar áudio. A informação é da Folha. O alvo é quem registrou a conversa revelada pela revista Veja, que mira o documentário sobre Lula dirigido por Oliver Stone.
O que o PT quer
Segundo a Folha, o pedido prevê também a quebra do sigilo telemático dos envolvidos. A justificativa é investigar uma possível violação de sigilo funcional e outros delitos. Em outras palavras, o partido quer rastrear o autor da gravação, e não discutir o que está nela.
O que diz o áudio
Na gravação divulgada pela Veja, o ex-dono do Banco Master afirma ter destinado recursos ao documentário sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele cita o financiamento da produção e faz referência a outro filme, ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
De acordo com a revista, o banqueiro teria relatado um repasse de R$ 30 milhões e incluído o assunto em uma proposta de delação premiada.
PF e PGR negam delação sobre o filme
A PF e a PGR, porém, negam que Vorcaro tenha prestado depoimento ou apresentado documentos sobre um suposto financiamento do filme. Advogados que participaram das negociações da colaboração também afirmaram que o tema não integrou um dos anexos.
Como um áudio sai de uma cadeia?
É aí que o caso ganha ares de enigma. Vorcaro está preso desde março na Papudinha, em Brasília, onde visitantes não podem entrar com celulares ou gravadores. A PGR suspeita que o áudio tenha sido obtido de forma ilegal durante a prisão e divulgado para interferir na campanha eleitoral.
Parte da defesa levanta outra hipótese: a gravação pode ser antiga e só ter vindo a público agora. Entre as possibilidades discutidas estão o envolvimento de agentes públicos, de integrantes da própria defesa ou de visitantes que tenham driblado a segurança.
Há ainda um detalhe importante. Quando estava sob custódia da PF, advogados podiam usar computadores e gravadores para registrar depoimentos ligados à colaboração. Conversas por videoconferência na Papudinha também poderiam ter sido gravadas.
O que vem agora
Resta saber se PF e PGR atenderão ao pedido e se a investigação sobre a origem do áudio andará mais rápido do que a apuração sobre o conteúdo. Com o segundo turno batendo à porta, cada passo desse caso tende a render nova rodada de embate eleitoral.
Análise do Giro
É legítimo apurar se houve gravação ilegal, e a própria PGR levanta essa suspeita. Mas a ofensiva do PT chama atenção por mirar primeiro o ‘X9’ e não responder de forma objetiva ao que o áudio atribui ao partido e ao governo. O eleitor quer transparência sobre o dinheiro, e não apenas sobre quem apertou o botão de gravar. Até aqui, PF e PGR negam que o tema tenha chegado formalmente à delação, e o debate sobre os fatos continua em aberto.
Com informações de Jornal da Cidade Online.



