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Política

PT lidera votos para deputado em presídios na maioria dos grandes Estados; veja o mapa

Levantamento da Gazeta do Povo mostra o PT no topo das seções prisionais em 2026, mas os campeões de voto nas cadeias nem sempre chegaram a Brasília.

PT lidera votos para deputado em presídios na maioria dos grandes Estados; veja o mapa
Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados / CC BY 3.0 (Rui Falcão)

O PT foi o partido mais votado para deputado federal nas seções prisionais da maioria dos grandes colégios eleitorais do país nas eleições de 2026. É o que mostra um levantamento da Gazeta do Povo, divulgado pela Revista Oeste. O dado chama atenção, mas vem com um alerta importante: ele não representa apenas o voto dos presos.

Um alerta que não pode ser ignorado

As urnas instaladas nos presídios também registram votos de agentes penitenciários, policiais penais, servidores e mesários. A Justiça Eleitoral não identifica a condição de cada eleitor. Ou seja: não dá para cravar quem votou em quem dentro dessas seções.

São Paulo: o mais votado ficou de fora

Em São Paulo, o ex-presidente do PT Rui Falcão liderou a votação individual nessas seções, com 144 votos, ou 6,7% do total. O resultado, porém, não o levou à Câmara: ele ficou na suplência. Já Tábata Amaral (PSB) e Lucas Pavanato (PL), também entre os mais votados, foram eleitos.

Bahia, Ceará e Rio Grande do Sul

Na Bahia, quem liderou foi Jayminho Vieira Lima (MDB), primo de Geddel Vieira Lima. Ele superou o voto de legenda do PT por apenas dois votos e também ficou na suplência. Capitão Alden (PL) e Jorge Solla (PT) estavam entre os mais votados e se elegeram.

No Ceará, Adelita Monteiro (PT) foi a primeira colocada, mas não se elegeu. André Fernandes (PL), segundo, garantiu vaga na Câmara. Roger Aguiar (PSB) ficou em terceiro e não foi eleito.

No Rio Grande do Sul, o PT ocupou os três primeiros lugares, com Alexandre Lindenmeyer, Laura Sito e Maria do Rosário. Só Maria do Rosário se elegeu. Os outros dois ficaram na suplência.

Onde a direita foi bem

Minas Gerais e Pernambuco foram as exceções à liderança petista. Em Minas, Nikolas Ferreira e Igor Santos, ambos do PL, receberam mais votos nesse recorte e conquistaram suas vagas. Menina da Bota (União) ficou entre os primeiros, mas só obteve a suplência. Pernambuco foi o único Estado em que os três mais votados nas seções prisionais se elegeram.

No Paraná, os votos se espalharam entre direita, centro e esquerda. Roberto Requião (PDT) liderou, mas não conseguiu nem a suplência. Ana Júlia e Renato Freitas, ambos do PT, foram os mais votados pelo partido nesses locais e se elegeram deputados federais.

Rio de Janeiro ficou de fora

No Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país, os detentos não votaram no primeiro turno. O TRE-RJ lançou em 2025 o projeto “Democracia Além das Grades”, mas deixou de fora as unidades com presos ligados a facções, por segurança. O Estado também não teve votação em presídios em 2022. Três Estados não registraram votação em prisões em 2026.

Quem pode votar e como

As urnas nos presídios garantem o voto de presos provisórios, sem condenação definitiva, e de adolescentes em internação, conforme o TSE. A Resolução nº 23.751/2026 exigia regularização eleitoral até 6 de maio e manifestação expressa de interesse em votar até 20 de agosto. Cada seção precisava de pelo menos 20 eleitores aptos, contando servidores e mesários.

O TSE manteve as regras para presos provisórios ao suspender a aplicação da Lei Raul Jungmann neste pleito. Para o tribunal, proibir o alistamento a menos de um ano da eleição violaria o princípio da anualidade.

Análise do Giro

Os números não autorizam concluir que presos votam no PT, porque as seções misturam servidores e mesários. Mas o dado alimenta um debate legítimo sobre a agenda de segurança pública defendida pela esquerda e sobre o papel das urnas em unidades prisionais, tema que o eleitor, sobretudo o das famílias que cobram mais ordem e rigor, tem todo o direito de acompanhar. Resta saber se o Congresso e o TSE vão rediscutir as regras para as próximas eleições.

Com informações de Revista Oeste.

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