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Política

Lira nega camarote de Vorcaro: mensagens não citam evento nem identificam o filho

Conversa vazada mostra Vorcaro liberando camarote a "filho de Lira", mas não diz qual filho, qual evento, nem se o convite foi usado. A assessoria nega qualquer pedido.

Lira nega camarote de Vorcaro: mensagens não citam evento nem identificam o filho
Foto: Marina Ramos/ Câmara dos Deputados / CC BY 3.0 (Arthur Lira)

Uma troca de mensagens atribuída ao fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, voltou a colocar o nome do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) no noticiário do caso. Segundo o site Poder360, em 1º de novembro de 2024 Vorcaro autorizou um camarote para um “filho de Lira”. A assessoria do parlamentar nega, de forma categórica, que ele ou os filhos tenham pedido qualquer coisa.

O que as mensagens realmente dizem

A conversa foi entre Vorcaro e o cunhado dele, Fabiano Zettel. Às 14h49, Zettel avisou que o pai do banqueiro, Henrique Moura Vorcaro, havia pedido um camarote para o “filho de Artur [sic] Lira”. Às 20h39, ele afirmou que Henrique tinha ligado “15 vezes” com o pedido.

Zettel foi direto: “Mas só vou fazer se você mandar”. Cerca de 30 minutos depois, veio a resposta de Vorcaro: “Pode fazer”.

Pelo registro, a iniciativa partiu do pai do banqueiro, e não de alguém do círculo de Lira.

O que as mensagens NÃO dizem

Aqui está o ponto central. As mensagens não identificam o evento. Também não apontam qual dos dois filhos de Lira seria o beneficiário. E não confirmam que o camarote foi de fato usado.

Lira tem dois filhos homens: Arthur Lira Filho, de 26 anos, fundador da Omnia Comunicação, e Álvaro Lira, o Alvinho, de 20 anos, eleito deputado federal por Alagoas em 4 de outubro de 2026. O texto não permite saber a quem Zettel se referia.

A resposta de Lira

Procurada pelo Poder360, a assessoria foi enfática. Declarou que “nem ele nem seus filhos jamais solicitaram ingressos para o GP Brasil de Fórmula 1 ou qualquer outro benefício ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, a seu pai, Henrique Vorcaro, ou a seu cunhado, Fabiano Zettel”.

A equipe acrescentou que Lira não pode responder por mensagens de terceiros nem pelo uso de seu nome sem que ele saiba.

A conversa não cita a Fórmula 1. A assessoria explicou que associou o pedido à data: o GP de São Paulo de 2024 aconteceu entre 1º e 3 de novembro, em Interlagos.

Sem rastro de Lira na corrida

Não há registro da presença de Lira ou dos filhos naquela edição. Estiveram lá o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), o ex-prefeito de São Paulo João Doria e o presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa. Não há indício nem comprovação de que eles tenham ido com Vorcaro ou a convite dele.

Os ingressos para áreas VIP e camarotes variaram conforme o setor. Segundo O Estado de S. Paulo, o F1 Paddock Club custou R$ 35,6 mil por pessoa.

E agora?

O caso Master segue produzindo novos trechos de conversas, e é provável que mais nomes apareçam. Resta saber se surgirá algum elemento que ligue a mensagem a um evento e a um beneficiário concretos, o que hoje não existe.

Análise do Giro

Citar um nome numa conversa alheia não prova pedido, uso nem favor. Neste caso, o próprio registro mostra que a iniciativa foi do pai do banqueiro, e não de Lira, e que faltam evento, beneficiário e confirmação de uso. Num país que defende a presunção de inocência, a investigação deve seguir com rigor, mas ninguém pode ser condenado por insinuação. Já a conta política do Master, com tantos nomes e tanto dinheiro em jogo, ainda exige respostas mais graves do que um camarote.

Com informações de Revista Oeste.

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