O relógio da suspensão zerou. A defesa de Jair Bolsonaro comunicou ao Supremo Tribunal Federal (STF), neste domingo (11), que as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao pai estão liberadas para voltar, já que o prazo de 90 dias imposto pelo ministro Alexandre de Moraes chegou ao fim. O aviso foi enviado ao gabinete do próprio Moraes.
E tem mais um detalhe que chama atenção: Flávio, que hoje disputa a Presidência da República, é um dos advogados que assinam o documento.
Seis assinaturas, um recado ao Supremo
A manifestação foi assinada por seis advogados, entre eles o próprio Flávio. No texto, a defesa informa que o período de suspensão terminou e que pretende retomar os agendamentos conforme as regras anteriormente definidas.
Na prática, os pedidos de visita voltarão a ser encaminhados diretamente ao Núcleo de Custódia da Polícia Militar, órgão responsável por organizar os encontros. Tudo, segundo a defesa, dentro das condições já estabelecidas e das demais medidas cautelares, que continuam em vigor.
Como tudo começou
A proibição partiu de Moraes em 13 de julho. Naquele dia, o ministro suspendeu por 90 dias a autorização para que Flávio visitasse o pai. Segundo a fonte, ele apontou possível descumprimento de medidas cautelares por parte de Jair Bolsonaro, ligadas ao uso de redes sociais por intermédio de terceiros.
Entre os episódios considerados estava a divulgação, por Flávio, de uma carta escrita pelo ex-presidente. Para Moraes, o uso de terceiros para publicar conteúdo poderia contrariar as determinações judiciais impostas a Bolsonaro durante o cumprimento da pena em regime domiciliar.
O que NÃO muda
Atenção: a comunicação da defesa não revoga as demais cautelares aplicadas ao ex-presidente e não altera automaticamente as condições do cumprimento da pena. O documento trata apenas da retomada dos procedimentos de visita.
Ou seja, a porta volta a se abrir, mas as restrições seguem de pé. A volta dos encontros deverá obedecer às condições fixadas pelas autoridades responsáveis pela custódia.
E agora?
A pergunta que fica é se o Supremo vai se manifestar sobre a comunicação ou se os agendamentos seguirão direto pelo canal da PM. A fonte indica que o caso pode ter novos desdobramentos, a depender da aplicação das condições e de eventuais novas determinações do STF. Moraes segue no centro das decisões sobre o cumprimento das medidas impostas a Bolsonaro.
Análise do Giro
Para além do debate jurídico, há uma questão humana e de proporcionalidade: um filho que quer ver o pai preso em regime domiciliar não deveria virar peça de disputa por causa de uma carta. Com o prazo cumprido, o mínimo que se espera é que as visitas voltem sem novos obstáculos e que as regras sejam aplicadas com clareza e previsibilidade, para que ninguém precise adivinhar o que pode ou não ser divulgado.
Com informações de QPO Geral.



