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Eleições

Fala de Lula sobre “toque” em Belém incendeia a direita; Flávio: “Faz o 22”

“Mulher aprende a tomar toque desde pequena”: a frase no comício em Belém, na véspera do Círio, provocou uma enxurrada de reações e virou munição na reta final da campanha.

Fala de Lula sobre “toque” em Belém incendeia a direita; Flávio: “Faz o 22”
Foto: Carl Chun / Public domain (Lula)

Uma frase, um palanque e uma reação em cadeia. Na noite de segunda-feira, 28 de setembro, em comício em Belém, às vésperas do Círio de Nazaré, o presidente Lula falava de exame de próstata quando disse que “homem não gosta de tomar toque” e que “mulher aprende a tomar toque desde pequena”. Na terça-feira (29/9), o trecho já corria pelas redes e foi parar no centro da disputa do segundo turno.

Madrugada de indignação

A reação começou antes do amanhecer. Às 1h48 de terça, o vereador Fernando Holiday escreveu: “Que mulher o presidente conhece e que foi tocada na infância? Quem tocou? Ele denunciou? Ele acha isso normal? Ele tocou em alguma?”. Carlos Bolsonaro pediu: “Deixem nossas crianças em paz, canalhas!”. Gustavo Gayer e Júlia Zanatta repetiram o apelo.

O deputado Marcel van Hattem chamou a fala de “uma banalização do abuso infantil” e, junto com Sanderson, apresentou representação contra o presidente.

“Eu tenho duas filhas”

A resposta mais pessoal veio de Flávio Bolsonaro, em vídeo, na terça: “Lula, eu tenho duas filhas mulheres pequenas, uma de 14 e uma de 12 anos, e elas não estão acostumadas a tomar toque desde criança, não.”

Alfredo Gaspar deixou duas hipóteses no ar: “Sua fala é criminosa e merece repulsa firme da sociedade ou ele está completamente gaga.” Damares Alves lembrou o cenário da fala: “E foi em Belém, bem perto do Marajó, onde tantas meninas sofrem com esses ‘toques’ que ele agora normaliza.” À tarde, ela voltou ao tema: “Eu fui uma menina vítima de abuso. Conheço essa dor. E, justamente por isso, cobro responsabilidade de quem ocupa o cargo mais alto do país.”

Os números entram na briga

Os parlamentares trouxeram estatísticas para o debate. Alexandre Ramagem afirmou que o Brasil registra “cerca de 184 casos de estupro de vulnerável por dia entre menores de 14 anos”. Júlia Zanatta citou mais de 84 mil estupros registrados só em 2025.

Damares foi além e disse que o Congresso aprovou, há quase dois anos, o Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais. Segundo ela, o governo vetou o trecho que obrigava a permanência do nome do criminoso no cadastro, e a ferramenta nunca saiu do papel. Na quarta (30/9), ela cobrou ainda o orçamento de proteção à mulher, que, nas palavras dela, o governo executou em apenas 0,1%. Alfredo Gaspar citou, na quinta (1º/10), dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre recorde de feminicídios no ano passado.

Cobertura e “pena” dos diplomados

O deputado André Fernandes disse que dá para medir o tamanho do problema “quando vê a mídia modificando por conta própria o que ele disse pra não pegar tão mal”. Filipe Barros afirmou que Lula “quer poder atribuir a Flávio o que este não disse” e também “quer impedir você de mostrar o que ele próprio disse”.

Jorge Seif Junior resumiu: “O presidente que se diz defensor das mulheres, ao vivo, normalizando assédio como se fosse coisa corriqueira. Não é piada. É o que ele pensa.” Chris Tonietto perguntou: “Será que as feministas ainda vão continuar passando pano depois dessa?”

O desgaste não parou aí. Na quarta (30/9), Lula disse ter pena de quem tem diploma e vota em Bolsonaro. Seif Junior interpretou: para o presidente, o universitário que vota no campo conservador “não aprendeu nada”. Tonietto devolveu: “quanto mais uma pessoa estuda, menos vota no PT”.

O que vem agora

Rogério Marinho resumiu o tom da oposição: “Tocar uma criança é CRIME e normalizar isso é abjeto!”. No sábado, 3 de outubro, Flávio fechou a campanha com o tema: “Faz o 22 para proteger nossas crianças!”. Resta saber se o episódio muda votos nos últimos dias ou se fica restrito à bolha das redes. A representação de van Hattem e Sanderson é o próximo capítulo a observar.

Análise do Giro

Um presidente da República fala para milhões, e cada palavra pesa, ainda mais quando o assunto é infância. Mesmo que a intenção fosse só uma brincadeira sobre saúde masculina, a escolha da frase mostra descuido com um tema que mexe com todas as famílias, e é natural que o eleitor cobre explicações. O episódio também reforça a pergunta que a oposição faz: o governo trata a proteção de crianças e mulheres com a prioridade que o discurso promete?

Com informações de Jornal da Cidade Online.

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