A largada do segundo turno trouxe um apoio que quase ninguém previa. Na tarde de segunda-feira (5), o ex-presidente Michel Temer publicou um vídeo anunciando voto em Flávio Bolsonaro (PL) na disputa de 25 de outubro contra Lula (PT). Foi mais uma adesão de peso para a candidatura da direita.
O recado de Temer
No vídeo, Temer diz que a sociedade quer novas ideias e um caminho diferente. Antes de se manifestar em público, ele teria conversado diretamente com o senador, segundo relato publicado pelo Metrópoles.
O gesto chama atenção por um detalhe: foi Temer quem indicou o ministro Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal. Um ex-presidente com esse peso no establishment pedindo mudança é um sinal que o Planalto não pode ignorar.
Caiado, Zema e a máquina de aliados
Temer não está sozinho. Ronaldo Caiado e Romeu Zema já declararam apoio ao candidato do PL. Reuniões estratégicas com aliados como Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira já começaram a desenhar a campanha, e Tarcísio disse que vai mergulhar de cabeça na campanha de Flávio em São Paulo.
A base dessa confiança está nas urnas. Com 100% das seções apuradas, Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Pela leitura histórica que circula entre apoiadores, desde 1989 nenhum candidato que liderou o primeiro turno perdeu a decisão.
PT fala em interferência dos EUA, e o TSE rebate
Do outro lado, a esquerda tenta mudar o assunto. O PT pediu ao ministro Flávio Dino que apure uma possível interferência estrangeira na eleição. No pedido, o partido cita a Rockbridge Network, organização norte-americana que financia campanhas políticas, e publicidade paga no exterior em perfis do X favoráveis ao candidato do PL. A Polícia Federal abriu uma apuração preliminar sobre o tema.
A tese perdeu força no domingo (4). O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que observadores internacionais não constataram indícios de interferência estrangeira no pleito.
O que vem pela frente: o Senado
O mapa de forças também muda no Congresso. O PL terá a maior bancada do Senado, e é o Senado que aprova ou rejeita indicações ao STF. Segundo a coluna de Andréia Sadi, para setores do PL o impeachment de Moraes é inegociável, enquanto ministros do Supremo teriam lembrado que alguns senadores têm pendências com a Justiça. O cabo de guerra está só começando.
Faltam poucas semanas para o dia 25. Com novos apoios entrando, a pergunta é quantos mais virão e se Lula conseguirá reagir sem ser pressionado pelo desgaste do terceiro mandato.
Análise do Giro
Quando um ex-presidente de outro campo e partidos de centro-direita se alinham a Flávio, o recado é que a vontade de mudança vai além da bolha bolsonarista. Enquanto isso, o PT aposta em teses de interferência externa que o próprio presidente do TSE diz não ter respaldo nas observações internacionais. Em vez de explicar ao eleitor o que pretende fazer diferente, o governo prefere falar de fantasmas, e quem decide é o voto, no dia 25.
Com informações de Jornal da Cidade Online.



