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Política

PCO abandona Lula e orienta voto nulo: “Trabalhador não tem nada a ganhar”

Partido que apoiou Lula em 2022 vira as costas ao petista no 2º turno, acusa o governo de servir aos bancos e ainda dispara contra a aliança do PT com o STF.

PCO abandona Lula e orienta voto nulo: "Trabalhador não tem nada a ganhar"
Foto: Calloshccp / CC BY-SA 4.0 (Rui Costa Pimenta)

A esquerda mais radical também deu as costas a Lula. O Partido da Causa Operária (PCO) decidiu, neste domingo, 11, orientar seus eleitores a votar nulo no segundo turno da eleição presidencial contra Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi aprovada durante a 39ª Conferência Nacional da legenda, realizada em São Paulo.

O recado é pesado. Em 2022, o PCO apoiou Lula contra Jair Bolsonaro. Agora, o partido considera que o petista se comprometeu com os interesses dos bancos e dos grandes empresários durante o terceiro mandato, afastando-se das reivindicações dos trabalhadores.

“Nada a ganhar”: o documento que pesa contra Lula

O texto apresentado pela direção nacional não deixa margem para dúvida. “A classe trabalhadora não tem nada a ganhar ao votar em Lula”, afirma o documento. E completa: “Por isso, nossa mensagem tem de ser inequívoca: nenhum apoio aos dois candidatos do capital, trabalhador só vota em trabalhador.”

Vale registrar que o PCO também recusa Flávio Bolsonaro, ao citar “os dois candidatos do capital”. Mas o foco das críticas da conferência foi o governo petista.

Alvo: Haddad, Tebet e Galípolo

Um dos principais alvos é a política econômica conduzida pelos ministros Fernando Haddad e Simone Tebet e pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O PCO acusa o governo de favorecer os interesses dos bancos e de restringir os gastos sociais por meio do arcabouço fiscal.

A aliança com o STF na mira

A conferência também mirou a relação entre o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal. “O PT fez uma aliança com aquilo que tem de pior no regime político brasileiro, que é o STF”, afirmou Rui Costa Pimenta, presidente do PCO. Ele foi além: “O PT compactuou com o atentado do STF contra os direitos democráticos da população.”

Nas redes sociais, Pimenta defendeu a posição da legenda. “Nossa posição é pela independência de classe e pela revolução”, escreveu. “Não vemos que o Lula neste momento preencha essas condições.”

Um participante da conferência disse ao Diário Causa Operária que “a discussão feita ao longo da Conferência deixou claro que a única política possível é a de voto nulo”. Segundo ele, o PCO defende “a independência da classe operária diante da burguesia e do imperialismo”.

Esquerda dividida

O gesto contrasta com outras legendas da esquerda radical. Unidade Popular (UP), PSTU e PCB anunciaram apoio a Lula no segundo turno.

Pimenta ajudou a fundar o PT em 1980 e ficou na sigla até 1992. Disputou a Presidência neste ano e recebeu 15.024 votos no primeiro turno, a última colocação entre os candidatos.

O que vem agora é a disputa pelo discurso: a campanha de Lula terá de lidar com a crítica vinda de dentro do próprio campo ideológico, enquanto o segundo turno segue em ritmo acelerado.

Análise do Giro

Quando até um partido de extrema esquerda, que apoiou Lula em 2022, diz que o trabalhador não tem nada a ganhar com o petista, o governo fica diante de uma pergunta incômoda sobre o que entregou. O PCO tem suas próprias razões ideológicas, que não são as do Giro, mas a crítica ao arcabouço fiscal e à aliança com o STF mostra que o desgaste do governo atravessa o espectro político e não é invenção da oposição.

Com informações de Revista Oeste.

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