O MDB chegou ao segundo turno rachado. Nesta terça-feira (13/10), dez diretórios estaduais do partido, de regiões do Norte e do Nordeste, declararam apoio à reeleição de Lula (PT). A manifestação veio no mesmo dia em que outra ala da sigla prepara, em São Paulo, o anúncio de apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL).
Quem está com Lula no MDB
Assinam o apoio os diretórios de Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia. Em nota conjunta, os dirigentes dizem que a decisão é uma defesa da democracia e da continuidade das políticas sociais do governo federal.
“Nosso posicionamento reafirma o compromisso com o desenvolvimento econômico, a geração de emprego e renda, a redução das desigualdades e a promoção da justiça social”, diz o documento.
O texto cita Bolsa Família, Pé-de-Meia, Minha Casa, Minha Vida e Farmácia Popular, além de obras de infraestrutura, como motivos para manter Lula no Planalto.
“Obras pela metade”: o argumento que chama atenção
O trecho mais curioso da nota é o apelo final. Segundo os diretórios, “interromper esse ciclo agora seria deixar obras pela metade, recursos parados e o povo esperando. […] É hora de transformar essa força em votos definitivos”.
Ou seja, os aliados de Lula pedem votos justamente com o argumento de que há obras inacabadas e recursos parados. O grupo também convocou prefeitos, vereadores, deputados, senadores e outras lideranças do MDB a se mobilizarem pela reeleição até 25 de outubro, data do segundo turno.
Entre os nomes dessa ala estão os senadores Eduardo Braga (AM), Marcelo Castro (PI) e Veneziano Vital do Rêgo (PB), além do ex-governador do Pará Helder Barbalho, eleito senador.
Do outro lado, a maioria dos diretórios
O movimento pró-Lula não esconde a divisão. A ala próxima de Flávio concentra parte importante de suas lideranças no Sul e no Sudeste. O anúncio de apoio a ele está previsto para a tarde desta terça, na capital paulista, após articulações conduzidas pelo presidente nacional do MDB, deputado Baleia Rossi, e pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes.
Segundo a fonte, mais da metade dos diretórios estaduais da legenda manifestou disposição de apoiar Flávio. Membros do partido afirmam, porém, que a direção nacional não deve exigir que todos sigam essa posição.
Um partido sem linha única
A divisão não é nova. Na convenção nacional, o MDB decidiu não apoiar nenhum candidato à Presidência no primeiro turno e liberou os diretórios estaduais para definir suas alianças. O racha se manteve depois da votação de 4 de outubro e agora fica exposto na reta final da campanha.
O que vem a seguir é a disputa por prefeitos, deputados e senadores emedebistas, que terão de escolher o palanque nos próximos 12 dias. Cada lado tentará mostrar que tem mais força nas urnas.
Análise do Giro
A adesão do MDB do Norte e do Nordeste a Lula mostra um apoio regional, construído em torno de programas e obras federais. Já a movimentação de mais da metade dos diretórios em direção a Flávio indica que a candidatura da oposição ganha musculatura dentro de um dos maiores partidos do país. Pedir voto sob o argumento de “obras pela metade” é um convite à pergunta que o eleitor vai fazer: o que ficou por fazer em anos de governo?
Com informações de Metrópoles Eleições.



