O Supremo Tribunal Federal virou assunto lá fora, e não pelos melhores motivos. Em plena reta final do segundo turno, o advogado norte-americano Martin De Luca, que representa a Trump Media e a plataforma Rumble em disputas judiciais contra ordens brasileiras, usou o X no fim de semana anterior a 13 de outubro de 2026 para ironizar o ministro Gilmar Mendes e disparar contra Alexandre de Moraes.
A cutucada em Gilmar
O gatilho foi uma informação do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. Segundo a coluna, Gilmar estaria ouvindo conselhos de diferentes interlocutores para reconsiderar a proximidade com Moraes, diante da repercussão de informações que ligam o colega ao empresário Daniel Vorcaro, associado ao Banco Master.
De Luca compartilhou a reportagem com um comentário irônico. A mensagem sugeria que o recado deveria ser tão claro que ninguém precisaria repeti-lo ao ministro. Gilmar tem defendido a atuação institucional de Moraes em diferentes ocasiões, e a provocação foi lida justamente como crítica a essa postura.
Há ressalvas importantes. A informação foi apresentada como relato de bastidores, sem identificar quem aconselha o ministro. Não há confirmação de que Gilmar pretenda mudar a relação com o colega, e nada indica uma ruptura entre os dois.
“Reinado da censura” e a eleição
O advogado não parou em Gilmar. Ao comentar uma notícia sobre decisão judicial envolvendo o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, De Luca usou a expressão “reinado da censura” para descrever a atuação que atribui a Moraes, sinalizando a expectativa de mudanças no cenário político.
Ele também demonstrou apoio ao senador Flávio Bolsonaro, que enfrenta Lula no segundo turno, em 25 de outubro. Em outra publicação, perguntou com ironia se uma pesquisa eleitoral divulgada por um veículo de comunicação poderia ser alvo de restrições.
O pano de fundo: Master e o Supremo sob lupa
A repercussão cresce porque o STF está no centro de outra discussão. A imprensa levantou questionamentos sobre contatos entre Moraes e Vorcaro e sobre negócios envolvendo o escritório de advocacia ligado à esposa do ministro. Moraes nega irregularidades, e a existência de contratos ou contatos citados nas reportagens não comprova, por si só, conduta ilícita.
Nesta terça-feira, 13 de outubro, o presidente do STF, Edson Fachin, reuniu-se com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para tratar de informações obtidas nas investigações e de referências a integrantes da Corte.
Quem é o advogado que cutuca o Supremo
De Luca não é um comentarista qualquer. Ele representa a Trump Media e a Rumble em ação na Justiça dos Estados Unidos que questiona determinações de Moraes sobre retirada de conteúdos e atuação de plataformas. O argumento é que certas ordens não poderiam produzir efeitos da forma pretendida em território americano. Ele também já deu entrevistas criticando decisões brasileiras que, na sua avaliação, ultrapassariam limites legais.
O outro lado lembra que a aplicação de ordens judiciais a empresas de tecnologia é tema complexo, ligado ao cumprimento da lei nacional e à proteção de direitos. Ter uma ação nos tribunais americanos também não significa que as alegações foram acolhidas. E as falas de De Luca não são posição oficial do governo dos EUA nem decisão da Justiça americana.
O que vem agora
O fato confirmado é a publicação dos comentários. O que acontece depois depende das investigações em curso, das decisões das autoridades e de eventuais respostas dos ministros citados. O episódio mostra que a discussão sobre liberdade de expressão e o poder do Supremo já ultrapassou as fronteiras e entrou, de vez, na disputa eleitoral.
Análise do Giro
Mais do que a ironia de um advogado estrangeiro, o que chama atenção é o fato de o Supremo estar sendo discutido no exterior num momento em que explicações sobre o caso Master são cobradas aqui dentro. Para quem defende liberdade de expressão e instituições acima de suspeitas, a saída é a transparência: quanto mais clareza houver sobre contatos e contratos, menos espaço sobra para provocações e especulações, venham de onde vierem.
Com informações de QPO Geral.



