O PL cresceu, e o Centrão pode não ter gostado. Depois de o partido ampliar sua bancada no Congresso Nacional com votações recordes de nomes ligados às redes sociais em 2026, aliados de Flávio Bolsonaro (PL) na Câmara apostam que o bloco tentará mudar as regras das próximas eleições legislativas. A ferramenta seria o voto distrital misto.
O que é o voto distrital misto e por que preocupa a direita
Pelo modelo, metade da Câmara seria formada pelos deputados mais votados em seus respectivos distritos. A outra metade seria eleita pelo sistema proporcional, como acontece hoje.
Na leitura dos aliados de Flávio, o desenho teria um efeito prático: diminuir o peso de fenômenos de voto como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP). Cada um recebeu mais de 3 milhões de votos e ajudou a engordar a bancada do PL em seus estados. No material de origem, aparece ainda Eduarda Campopiano, do PL, a deputada estadual mais votada de São Paulo.
PSD de Kassab já mexe no tabuleiro
O movimento não é só uma suspeita de bastidor. Segundo a coluna de Vinicius Passarelli, no Metrópoles, o PSD de Gilberto Kassab já discute acelerar a tramitação de um projeto que implanta o voto distrital misto. A proposta está na CCJ da Câmara, sob relatoria do deputado Domingos Neto (PSD-CE).
Moraes também defendeu o modelo
O sistema atual também foi alvo de crítica recente do ministro do STF Alexandre de Moraes, desafeto do bolsonarismo. Para ele, o modelo favorece eleitos mais preocupados com as redes sociais do que com a atividade legislativa.
“Esse modelo eleitoral faliu porque produz candidatos e eleitos que não têm vinculação nenhuma a partidos, que se preocupam muito mais em ficar fazendo live da Câmara do que discutir o projeto que tá sendo aprovado”, disse Moraes em evento do Tribunal de Contas do Município de São Paulo, em 25 de agosto.
O que vem pela frente
A aposta dos aliados de Flávio ainda é uma previsão. O que existe de concreto é um projeto em tramitação na CCJ, a discussão no PSD para acelerá-lo e a defesa pública do modelo por um ministro do Supremo. Se o Centrão de fato ligar o motor, a votação do projeto vai mostrar quem está disposto a mexer nas regras justamente depois de um resultado que favoreceu a direita nas urnas.
Análise do Giro
Todo sistema eleitoral pode ser debatido, e o voto distrital tem defensores sérios. Mas o timing levanta uma pergunta legítima: por que a discussão ganha pressa justamente quando candidatos com votação popular expressiva ampliam a bancada de um partido de direita? Em uma democracia, o voto de milhões de brasileiros não deveria ser tratado como problema a ser contornado. Se houver mudança, ela precisa ser transparente e debatida com a sociedade, não desenhada para reduzir o peso de quem foi escolhido nas urnas.
Com informações de Metrópoles Eleições.



