A festa nas ruas não está sendo lida como vitória nos bastidores. Integrantes da campanha à reeleição de Lula avaliam que as manifestações do fim de semana e do feriado, em grandes centros urbanos, deram um fôlego ao petista, mas ainda não furaram a bolha da militância. O diagnóstico é de quem está dentro do comitê, depois de um primeiro turno em que Flávio Bolsonaro (PL) terminou quase dois pontos à frente do presidente.
“Deu um suspiro”: a confissão de uma liderança petista
A avaliação foi feita sob reserva, à coluna do jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles. Segundo uma liderança da campanha, os atos mostraram o furor da militância depois do resultado do primeiro turno, mas não chegaram a eleitores indecisos ou independentes.
A frase resume o clima: “Deu um suspiro, mas não eram as pessoas neutras que foram nos atos. Foi o furor e a raiva da militância que fizeram lotar, mas isso ainda não converte os indecisos”.
Ou seja, as imagens de multidão, que a campanha tenta transformar em combustível eleitoral, tiveram como público principal quem já estava convencido.
Paulista, Copacabana e Natal: ruas cheias, indecisos fora
Lula esteve no ato “Lula em São Paulo, O Brasil Pronto Pra Mais”, na Avenida Paulista. Apoiadores também se mobilizaram em Copacabana, e o presidente participou de outro ato no bairro do Alecrim, em Natal, no Rio Grande do Norte. Mesmo com a sequência de eventos, a leitura interna é de que o efeito ficou concentrado na base. O material de origem registra ainda que o deputado Lucas Pavanato quer saber quem depredou estações de metrô na Avenida Paulista.
A nova aposta: a 6×1
Sem conseguir, até agora, conquistar o eleitor neutro, aliados de Lula colocam as fichas na PEC do fim da escala 6×1, prevista para ser votada nesta semana no Senado. A expectativa é que os atos em defesa da proposta ajudem a romper a bolha e tragam outros eleitores para a órbita do presidente.
A estratégia mostra o tamanho do desafio. Com a vantagem de Flávio no primeiro turno, o governo precisa de votos além do núcleo que já lota as avenidas, e a campanha admite que ainda não encontrou o caminho para isso.
O que vem pela frente
A votação no Senado deve ser o próximo teste para a estratégia. Se a pauta vai render votos fora da militância, só as próximas pesquisas e as urnas do segundo turno dirão.
Análise do Giro
Quando a própria campanha reconhece que as multidões são feitas de convertidos, o recado é claro: mobilizar a militância não é o mesmo que convencer o eleitor que decide a eleição. Se a esperança do governo agora é uma pauta votada às pressas no Senado, resta ao brasileiro perguntar por que o tema só virou prioridade na reta final da disputa.
Com informações de Metrópoles Eleições.



