A dívida bilionária de Minas Gerais com a União entrou de vez na disputa pelo Planalto. O governador eleito do Estado, Cleitinho Azevedo (Republicanos), afirmou que o senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, se comprometeu a discutir uma possível renegociação do débito caso vença a eleição de 25 de outubro. A informação foi dada em entrevista ao jornal Itatiaia.
Um passivo de quase R$ 190 bilhões
O tamanho do problema impressiona. Segundo dados da Secretaria Estadual da Fazenda de Minas Gerais, a dívida do Estado com o governo federal é de R$ 187,5 bilhões. Em números redondos, quase R$ 190 bilhões que pesam sobre as contas mineiras.
Para Cleitinho, a saída em debate é simples de explicar: pegar o dinheiro que seria usado no pagamento das parcelas e transformá-lo em obras e investimentos no Estado.
“Existem muitas obras que são de competência do governo federal. Queremos pegar essa prestação que vamos pagar e devolver em infraestrutura, investimento, segurança pública, em todas as áreas que são de competência do governo federal”, disse o governador eleito. “Ele [Flávio] assumiu esse compromisso, que é extremamente importante para Minas Gerais”, completou.
O vídeo que selou o compromisso
Na quinta-feira 8, Cleitinho publicou um vídeo ao lado de Flávio para tratar do assunto. Na gravação, o governador eleito pede ao candidato “a humildade de entender que, assim que ele ganhar, a gente poder dialogar sobre a dívida que o Estado tem com o governo federal”. Segundo Cleitinho, o pedido não vem só dele, mas de “todos os deputados e senadores” do Estado.
Em seguida, o recado direto: “Faça esse compromisso conosco, Flávio”. A resposta veio sem rodeios: “Está feito o compromisso”.
Prioridade de um governo que ainda nem começou
Renegociar a dívida é uma das prioridades do futuro governo de Cleitinho. A aposta é que, com a redução desse passivo, o Estado amplie sua capacidade de investimento e consiga tirar novas obras do papel.
O movimento ocorre num momento delicado da campanha. Flávio aparece à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas primeiras pesquisas do segundo turno. Aliados de peso nos Estados, como o governador eleito de Minas, passam a cobrar compromissos concretos antes mesmo da votação.
E agora?
Não há, no material divulgado, detalhes sobre prazos, valores ou o formato de uma eventual renegociação. O que existe é a promessa de abrir o diálogo caso Flávio vença. Resta saber se ele vai detalhar a proposta ao longo do segundo turno e como o tema será tratado se o resultado das urnas confirmar o favoritismo apontado nas pesquisas.
Análise do Giro
Estados sufocados por dívidas com a União têm pouca margem para investir em segurança e infraestrutura, e quem paga a conta é o contribuinte. Discutir um novo desenho para esse débito, com mais recursos voltados a obras e menos às parcelas, vai ao encontro de um federalismo mais leve e de um Estado que gasta melhor. Por ora, porém, trata-se de um compromisso de diálogo, e o eleitor mineiro deve cobrar números e prazos.
Com informações de Revista Oeste.



