A guerra das redes chegou ao tribunal. Nesta terça-feira, 13, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga a ação do senador Flávio Bolsonaro (PL) contra a primeira-dama Janja, por um post que o candidato à Presidência classifica como propaganda eleitoral irregular. A poucos dias do segundo turno, o caso põe a esposa de Lula no centro de uma disputa sobre o que é crítica política e o que é atribuir ao adversário palavras que ele nega ter dito.
“Nunca disse”: o que Flávio contesta
Segundo Flávio, Janja lhe atribuiu declarações falsas ou fora de contexto. O candidato afirma que jamais disse que pretendia fazer os trabalhadores atuarem sete dias por semana. Também diz que nunca apresentou proposta para extinguir o Programa Farmácia Popular.
São justamente os temas que mexem com o bolso e o cotidiano do eleitor. Por isso, a decisão do TSE é acompanhada de perto pelos dois lados.
Seis julgamentos, uma pauta carregada
O processo contra Janja faz parte de uma pauta de seis julgamentos. Cinco deles tratam de publicações contestadas por Flávio e por Lula, adversários no segundo turno.
O PL também aparece como autor. O partido interpelou os deputados federais Lindbergh Farias e Rogério Correia, ambos do PT, por publicações no Instagram que insinuam relações de Flávio com organizações criminosas, milicianos, traficantes e integrantes de facções. Para o PL, as postagens ultrapassam a crítica política e atacam a honra e a imagem do candidato, ao atribuir a ele, de forma descontextualizada, vínculos com a criminalidade organizada.
O outro lado também foi ao tribunal
A Federação Brasil da Esperança, liderada pelo PT, também tem ações na pauta. Uma contesta um vídeo divulgado pelo PL que, segundo a federação, teria usado inteligência artificial para simular associações de Lula com facções criminosas. A federação diz que o conteúdo traz informações falsas e atinge a honra e a imagem do presidente.
Outra ação questiona um vídeo publicado por Flávio no Instagram. Segundo os autores, o material omite o contexto de declarações de Lula para sugerir que ele apoia facções criminosas, incentiva a receptação de celulares roubados, defende o narcotráfico e tolera a violência contra a mulher.
Também está na pauta uma ação contra a empresa MGB Mídia e Entretenimento, responsável pelo perfil Dama de Ferro no X. A federação contestou uma publicação que apresenta Lula como “protetor” e “amigo” do Primeiro Comando da Capital e do Comando Vermelho.
O que vem agora
A fonte não informa o resultado. Cabe ao TSE dizer, caso a caso, onde termina o debate duro e começa a propaganda irregular. A decisão sobre o post de Janja pode fixar um parâmetro para o que a primeira-dama e o entorno do presidente podem atribuir ao adversário na reta final da campanha.
Análise do Giro
Atribuir ao adversário falas que ele diz nunca ter dito é um problema sério em qualquer campanha, ainda mais quando parte da primeira-dama, que tem a máquina e o palanque do poder à disposição. Em uma disputa apertada, o eleitor merece debate sobre propostas reais, e não sobre frases que o candidato nega ter pronunciado. Cabe à Justiça Eleitoral aplicar o mesmo rigor a todos os lados, sem seletividade.
Com informações de Revista Oeste.



