A um dia da votação da PEC do fim da escala 6×1 no Senado, o presidente e candidato à reeleição Lula (PT) tentou transformar o apoio que cresce no PL em troféu de campanha. Nesta terça-feira (13), ele disse que o partido só resolveu votar a favor depois da pressão popular. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário no 2º turno, já tinha respondido de manhã: vai votar sim, mas avisou quem deve pagar a conta.
Flávio vota com o trabalhador e cobra o governo
O senador anunciou que votará a favor do texto “de acordo com a vontade da maioria do povo trabalhador brasileiro”. Não parou aí. Flávio deixou claro que discorda de pontos do projeto e disparou: “quem vai pagar essa conta vai ser o governo”.
Ou seja, o candidato do PL acompanha o desejo de quem trabalha e, ao mesmo tempo, aponta de quem será a responsabilidade pelo custo da medida.
PL avalia liberar a bancada
Segundo apuração da CNN Brasil, senadores do PL avaliam que a PEC já tem votos suficientes para passar no Senado. Por isso, defendem que o partido libere a bancada na votação, o que evitaria constrangimentos com algumas bases eleitorais. A sigla ainda deve divulgar seu parecer sobre o tema nesta terça, à tarde.
Lula fala em “pressão da sociedade”
Lula, por sua vez, foi direto ao creditar a mudança de postura do PL às ruas. “Me parece que, depois da pressão da sociedade, me parece que, depois de todas as manifestações da rua desse Brasil, o partido do PL resolveu votar o fim da escala 6×1”, disse.
Em seguida, rebateu as críticas de que o projeto seria ruim para o país e soltou uma frase que deve render debate: “Eu, de vez em quando, fico pensando: se todo mal que eu causar a esse país for fazer a direita avançar e atender aos interesses do povo brasileiro, eu vou continuar fazendo isso”.
A corrida contra o relógio eleitoral
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pautou o primeiro turno da PEC para esta quarta-feira (14). O governo, porém, quer mais. Aliados do Planalto buscam assinaturas para que os dois turnos sejam votados no mesmo dia, o que permitiria promulgar o texto de imediato.
Uma PEC precisa de dois turnos, com 49 votos favoráveis em cada um, e o regimento prevê três sessões de discussão entre eles. Se o intervalo for respeitado integralmente, a votação final pode ficar para depois do 2º turno das eleições.
As discussões começaram na semana passada, em sessões entre 5 e 7 de outubro. Nesta semana estão previstas outras duas, na terça (13) e na quarta (14), completando as cinco exigidas antes do primeiro turno.
Para driblar o intervalo, a base aliada, liderada pela senadora Teresa Leitão (PT-PE), tenta reunir assinaturas para um requerimento de calendário especial.
O que vem a seguir
O PL ainda precisa divulgar sua posição oficial. A quarta-feira dirá se a bancada será liberada e se o governo consegue o calendário especial para aprovar tudo antes de o eleitor voltar às urnas. Se não conseguir, a conclusão da PEC pode ficar para depois do 2º turno.
Análise do Giro
O fim da escala 6×1 é uma pauta popular, e Flávio acertou ao votar com a maioria do trabalhador brasileiro sem esconder a pergunta que o governo precisa responder: quem paga a conta? Já Lula, candidato e presidente, tenta ao mesmo tempo creditar o avanço à própria pressão e correr contra o regimento para colher o resultado antes do 2º turno. Num país em que o custo de qualquer medida recai sobre quem produz e emprega, a pergunta do senador do PL é a que o eleitor deve fazer.
Com informações de CNN Brasil.



