O caso Banco Master ganhou um capítulo que mexe com o topo do sistema financeiro. Mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro mostram que Isaac Sidney, presidente da Febraban, defendeu o ex-dono do banco diante de autoridades, incluindo o Banco Central. Os primeiros diálogos são de dezembro de 2023.
“Irmão” e lealdade
Nas conversas, Sidney chama Vorcaro de “irmão”. Também afirma que a lealdade era o maior prestígio que poderia oferecer ao banqueiro. É um tom de intimidade pouco comum entre o chefe da principal entidade dos bancos e o dono de uma instituição que depois acabou liquidada.
A defesa diante do BC
Em uma das mensagens, Sidney relata ter defendido Vorcaro numa reunião com o presidente e um diretor do Banco Central. O assunto eram as mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), aprovadas pelo Conselho Monetário Nacional.
Segundo o relato, o presidente da Febraban levou diretores da própria entidade e do FGC até o banco para demonstrar a lisura das operações. Também pediu ao BC um período de transição para as novas normas.
Vorcaro reagiu com revolta. Chamou a medida de “absurdo” e disse que a regra buscava freá-lo. Afirmou ainda que o Itaú buscava o caos e que a decisão atingiria outras instituições financeiras. Sidney aconselhou o empresário a não assumir o desgaste das mudanças.
Viagens, fóruns e um “alvo mais relevante”
No início de 2024, Sidney relatou uma reunião com Roberto Campos Neto sobre Open Finance. Pela mensagem, o então presidente do BC pretendia receber Vorcaro. Nos meses seguintes, o presidente da Febraban e o banqueiro combinaram viagens e eventos, entre eles um fórum em Londres.
Ao falar da viagem à Inglaterra, Sidney citou a presença de autoridades e expressou receio com a exposição. Disse que ambos tinham um “alvo mais relevante” a avançar. A fonte não esclarece o que seria esse alvo.
O que diz Sidney
Em nota, o presidente da Febraban afirmou que as referências a lealdade e defesa refletiam relações pessoais e interlocuções institucionais com bancos associados. Negou favorecimento ou atuação ilícita. Disse ainda que, à época, não poderia prever que Vorcaro seria acusado de fraudes.
Sidney também afirma ter enviado ao BC apresentações e três ofícios que assinou entre 2023 e 2025. Segundo ele, os documentos alertavam para o crescimento e a agressividade das captações do Master com garantia do FGC. A Febraban, afirma, apoiou publicamente a liquidação do banco e a responsabilização dos gestores.
O que vem pela frente
As mensagens deixam abertas perguntas sobre os limites entre a defesa institucional e a proximidade pessoal com um banqueiro. Elas também mostram até onde ia a interlocução entre o setor e o regulador. Resta saber se novos trechos do celular de Vorcaro virão a público e se as autoridades citadas serão chamadas a explicar os episódios.
Análise do Giro
Livre mercado pressupõe regras iguais para todos e transparência na relação entre regulados e reguladores, e é por isso que as mensagens pedem explicações claras, sem prejulgamentos. Sidney nega qualquer ilícito e a presunção de inocência vale para ele, mas o caso Master só recupera a confiança do sistema financeiro se for apurado até o fim, sem filtro e sem poupar ninguém, seja qual for o nome citado.
Com informações de Revista Oeste.



