Depois de ser derrotado no primeiro turno na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) promete dar uma força que o PT diz não ter recebido: engajar-se na campanha de reeleição de Lula no segundo turno. A mudança de postura vem depois de críticas de setores petistas, que o acusam de ter “escondido” o presidente durante a corrida estadual.
O ‘sumiço’ de Lula na campanha de Paes
Segundo o material apurado, Paes teria evitado aparições públicas ao lado do presidente e não mencionava o petista em declarações e entrevistas. Pelos bastidores, o próprio Lula teria se incomodado e reclamado do comportamento do aliado.
Agora, de acordo com informações do UOL, a expectativa do PT é que o ex-prefeito passe a declarar apoio a Lula de forma pública e mais enfática, principalmente nas redes sociais.
A conta que preocupa o PT no Rio
Há motivo para a pressa. Integrantes da equipe de campanha de Lula acreditam que o apoio explícito de Paes pode atrair um outro perfil do eleitorado fluminense.
No primeiro turno, o presidente não conseguiu aumentar sua votação em regiões importantes do estado, como a Baixada Fluminense. Os números chamam atenção:
- Duque de Caxias: 18.964 votos a menos do que em 2022;
- Nova Iguaçu: 13.419 votos a menos;
- São João de Meriti: 11.368 votos a menos.
Até o PSD faz silêncio
O PT também observa com preocupação o movimento dentro do PSD, partido de Paes. Deputados estaduais e federais da legenda que haviam apoiado Lula em 2022 ainda não se manifestaram publicamente a favor do presidente. Ou seja: além de ter de convencer o eleitor, o petista ainda precisa segurar aliados que, por enquanto, preferem o silêncio.
Derrota, Garotinho e a terceira tentativa frustrada
Paes foi derrotado por Douglas Ruas (PL). A vitória foi sacramentada já no primeiro turno, depois da decisão da Justiça Eleitoral de anular os votos recebidos pelo ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos). O ex-prefeito reconheceu o resultado e disse que não apresentará novas contestações.
“A eleição termina, mas o meu amor pelo Rio e o meu compromisso com o povo fluminense continuam os mesmos”, afirmou em nota publicada nas redes sociais. Ele acrescentou que o PSD e o grupo político “seguirão vigilantes, acompanhando e cobrando resultados de um governo que representa a continuidade do grupo político que está no poder há oito anos”.
Foi a terceira tentativa de Paes de chegar ao Palácio Guanabara, e a terceira derrota. Em 2006, ainda no PSDB, ele teve pouco mais de 5% dos votos válidos e ficou em quinto lugar. Em 2018, foi ao segundo turno, mas perdeu para Wilson Witzel, com 40,13%.
O que vem agora
O segundo turno dirá se o apoio tardio e mais barulhento de um candidato derrotado terá algum efeito nas urnas fluminenses, ou se o estrago na Baixada já está feito. A campanha de Lula aposta na primeira hipótese. O silêncio de parlamentares do PSD indica que a tarefa não será simples.
Análise do Giro
A história escancara uma contradição: aliados que se afastam do presidente quando a disputa é local e só voltam a abraçá-lo quando o PT cobra a fatura. Quando o próprio candidato do campo governista evita a imagem de Lula, o dado é político e diz muito sobre o clima nas ruas do Rio, como mostram as perdas de votos na Baixada. Resta ao eleitor avaliar se um apoio de última hora, depois da derrota, é convicção ou conveniência.
Com informações de Revista Oeste.



