Preso e praticamente incomunicável, Jair Bolsonaro seria o grande vencedor do primeiro turno das eleições. É o que sustenta uma coluna de opinião publicada pela Revista Oeste, que aponta o STF como o grande perdedor do pleito. A tese é do colunista e está longe de ser consenso, mas ajuda a entender o que a direita espera das próximas semanas.
O filho, a faixa e a liberdade
Segundo o texto, Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar, pode ver o filho Flávio Bolsonaro chegar à Presidência graças ao sobrenome e, com isso, abrir caminho para a própria liberdade. O colunista faz um paralelo com 2018, quando Lula, preso, tentou eleger Fernando Haddad. Para ele, Lula acabou dependendo de ministros do Supremo para sair da cadeia e voltar à disputa.
O colunista diz ainda que, se conseguir a liberdade, Bolsonaro não deverá favor a quem o prendeu. Segundo o texto, Flávio já sinalizou paz ao STF: a prioridade dele seria livrar o pai da cadeia e governar com o menor grau possível de estridência.
Senado e o fantasma do impeachment
O ponto mais explosivo da coluna é o Legislativo. O texto afirma que o bolsonarismo teve vitória avassaladora na Câmara e no Senado. Na Casa Alta, diz o autor, já haveria maioria suficiente para levar adiante processos de impeachment contra ministros do Supremo, em especial Alexandre de Moraes.
O colunista afirma que o compromisso dos senadores bolsonaristas com esse objetivo é "incancelável". Para ele, os eleitores dificilmente aceitariam uma troca entre a liberdade de Bolsonaro e a permanência de Moraes no cargo, e quem recuasse pagaria um custo político alto. A anistia aos condenados pelo 8 de janeiro também aparece como cobrança da base.
Mesmo com uma eventual reeleição de Lula, que o autor considera improvável, a meta seguiria de pé. A primeira batalha seria tirar Davi Alcolumbre da presidência do Senado, para destravar o processo. Em paralelo, viria uma reforma do Judiciário para coibir o que o texto chama de autoritarismo dos ministros.
O tiro que teria saído pela culatra
Na leitura do colunista, a rejeição de integrantes do STF a Flávio teria ajudado o próprio candidato. Ele diz que as manobras contra o senador provocaram desgaste que ultrapassou o bolsonarismo raiz, e que a migração de eleitores de outros candidatos de direita para Flávio ocorreu antes do esperado.
O texto também destaca Tarcísio de Freitas como figura nacional e afirma que o governador de São Paulo bateu Haddad nas urnas além do esperado. Segundo o autor, Tarcísio teria batido Lula com folga se tivesse o apoio de Bolsonaro para a corrida presidencial. Ao manter o sobrenome nas urnas, o ex-presidente teria arriscado "a direita inteira".
O que vem por aí
O colunista prevê que, se Lula não conseguir vencer Flávio, o PT e integrantes do STF recorreriam a um "golpe judicial", alegando interferência dos EUA na eleição. Trata-se de uma previsão do autor, sem comprovação no texto. O segundo turno dirá se a aposta da direita se confirma nas urnas e, depois, no Senado.
Análise do Giro
Mais do que um balanço do primeiro turno, a coluna expõe a cobrança que a base conservadora fará dos eleitos: transformar votos em respostas institucionais, como a anistia e o debate sobre os limites do Judiciário. O caminho passa pelo Congresso e pelo voto, que é o instrumento legítimo de uma democracia. Cabe ao eleitor acompanhar se as promessas de campanha serão cumpridas.
Com informações de Revista Oeste.



