O relógio já corre contra a Meta. O Tribunal Superior Eleitoral deu 48 horas para a empresa explicar supostas falhas no impulsionamento de conteúdo de campanhas no Instagram e no Facebook. A ordem é do ministro Marco Aurélio Bellizze e atende a reclamações da campanha de Lula, que diz ter sofrido dificuldades para promover suas publicações.
A queixa do comando petista
A campanha do presidente afirma que problemas técnicos reduziram a visibilidade de suas publicações num período considerado crítico. Segundo o relato petista, o adversário, Flávio Bolsonaro, teria sido beneficiado. Trata-se, por ora, de alegação da campanha: a fonte não apresenta prova de favorecimento.
As seis perguntas que a Meta terá de responder
O tribunal enviou seis questionamentos à empresa. Entre os pontos cobrados estão:
- a desativação da conta de anúncios de Lula em 23 de setembro, sem justificativa clara;
- inconsistências na contagem de visualizações e do alcance das publicações;
- a possível presença de perfis automatizados promovendo conteúdo favorável a Flávio;
- as medidas de moderação adotadas desde o início oficial da campanha, em 16 de agosto;
- a remoção de perfis de candidatos por violações eleitorais;
- a conservação de todos os registros relacionados aos procedimentos questionados.
Note a diferença: são perguntas feitas pelo tribunal, não conclusões. Nada ali confirma que houve manipulação ou favorecimento.
Meta rebate e TSE manda guardar tudo
A Meta nega irregularidades e contesta as acusações. Mesmo assim, o TSE determinou a preservação integral dos dados sobre moderação, anúncios veiculados e métricas de desempenho, material que poderá servir a investigações futuras da Justiça Eleitoral.
O que está em jogo
A resposta da empresa pode definir se haverá abertura de inquéritos administrativos ou processos disciplinares contra a plataforma por possível desequilíbrio na disputa. O tema divide analistas e especialistas em direito eleitoral, sobretudo no debate sobre a regulação das redes sociais.
Nas próximas 48 horas, o tribunal deve receber a versão da Meta sobre a conta desativada, as métricas contestadas e os perfis automatizados. É a partir dela que se saberá se a queixa da campanha de Lula se sustenta ou fica no campo da denúncia.
Análise do Giro
É legítimo que qualquer campanha peça explicações a uma big tech, e a transparência dos algoritmos interessa a todo eleitor. Mas acusação não é prova: até aqui, a Meta nega o que lhe é atribuído, e o que existe são perguntas do TSE. Cabe cautela para que a necessária fiscalização não vire pretexto para ampliar o controle estatal sobre o que circula nas redes, em prejuízo da liberdade de expressão.
Com informações de Topic News.



