Um áudio colocou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no centro de uma conversa que ninguém esperava ver vir à tona. Segundo a gravação, revelada neste domingo (11) pelo jornalista Lauro Jardim, de O Globo, Moraes estava entre os nomes cogitados para uma viagem à mansão de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em Trancoso, no litoral da Bahia.
“Só não vai o careca”
O áudio foi enviado em 22 de agosto de 2025 pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria. Na mensagem, ele informa que Moraes não poderia participar do encontro, previsto para o fim de semana de 7 de setembro.
“Só não vai o careca, que eu acho que é até bom, né?”, disse Faria, em referência ao magistrado. Segundo a fonte, o ex-ministro acrescentou que a presença de Moraes representaria um risco naquele momento, mas sugeriu que os demais mantivessem a viagem.
Quem estava no grupo
A conversa acontecia em um grupo de WhatsApp que também reunia o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). O assunto eram os preparativos para a comemoração do aniversário de Faria. Além da passagem por Trancoso, havia a sugestão de um jantar em São Paulo, restrito a familiares e integrantes do grupo.
O que Moraes decidia naqueles dias
O contexto chama atenção. Dois dias antes do áudio, Faria compartilhou no mesmo grupo uma notícia sobre a apreensão dos celulares do pastor Silas Malafaia, determinada por Moraes. Nas semanas seguintes, o ministro participaria do julgamento que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O que o áudio não prova
É preciso separar o que está na gravação do que não está. O material indica que a participação de Moraes era discutida entre os integrantes do grupo, mas não comprova que o ministro tenha aceitado um convite nem que o encontro em Trancoso tenha ocorrido conforme o planejado.
Até aqui, o que se sabe é o que a fonte registra: o nome do ministro circulou, e um dos participantes avaliou que a presença dele seria um risco. O que Moraes tem a dizer sobre o episódio e se haverá novos desdobramentos a partir da revelação de O Globo ainda são perguntas em aberto.
Análise do Giro
O áudio não prova que Moraes tenha aceitado qualquer convite, e é justo dizer isso. Mas ele levanta uma pergunta que a opinião pública tem direito de fazer: por que o nome de um ministro do Supremo era discutido para um encontro na casa de um banqueiro, e por que alguém avaliou que a presença dele seria um “risco”? Em um tribunal que concentra tanto poder, a distância entre magistrados e personagens com interesses em jogo não é detalhe, é condição de confiança. Cabe ao ministro esclarecer o episódio, e à imprensa seguir cobrando.
Com informações de Revista Oeste.



