O deputado André Janones subiu o tom neste domingo. Depois que o canal “Exército do Lula”, com 3,3 milhões de seguidores no WhatsApp, foi suspenso por decisão da Justiça Eleitoral, ele acusou o TSE de censura e afirmou que o episódio já mostra o que viria pela frente.
Em publicação feita por volta das 12h10, Janones disse: “Eles conseguiram. O canal Exército do Lula sairá do ar em uma hora. Temos que denunciar, que não é que se o Flávio Bolsonaro for eleito que a censura será instalada. Ela já começou. A censura já começou.”
“Me proibiram de criar outro canal”
O deputado foi além e afirmou que a decisão o impede de abrir um novo canal. “Eles me proibiram inclusive de criar outro canal, sem nenhuma argumentação”, declarou.
É esse o ponto novo da briga. A suspensão do canal já era conhecida, mas agora o próprio criador da página admite o tamanho do estrago na estratégia digital da campanha de Lula, que perde uma vitrine com milhões de inscritos em pleno segundo turno.
O que diz a decisão
O pedido para derrubar o canal partiu da campanha do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que apontou a prática de desinformação coordenada contra os seguidores do canal. O ministro Nunes Marques acatou o pedido. Segundo ele, decisões de remoção de publicações individuais se tornaram insuficientes.
Ou seja: na avaliação do ministro, tirar posts um a um já não resolvia o problema. Por isso, a medida atingiu o canal inteiro.
O que vem agora
Resta saber se Janones e a campanha petista vão recorrer e se tentarão reorganizar a rede de apoiadores em outro formato. A reta final do segundo turno promete mais disputa, agora também nos bastidores digitais, e o tema da “censura” já virou bandeira de discurso da esquerda.
Análise do Giro
Janones tem o direito de contestar a decisão na Justiça, mas o discurso de que a censura “começou” agora passa por um detalhe: na fonte, o que se vê é uma decisão de um ministro, fundamentada na alegação de desinformação coordenada, e não a prova de que haveria perseguição. A discussão sobre limites precisa ser transparente e valer para todos os lados, e quem defende a liberdade de expressão deve cobrar o mesmo rigor de qualquer campanha, inclusive a de Lula, que disparava conteúdo para 3,3 milhões de pessoas.
Com informações de Metrópoles Eleições.



