A campanha de Lula acaba de levar um golpe na reta final do segundo turno. O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou neste domingo a suspensão de anúncios pagos que atacam Flávio Bolsonaro. A decisão atende a um pedido do candidato do PL e abre mais um capítulo da guerra jurídica na disputa presidencial.
O que Mendonça mandou parar
O ministro proibiu o impulsionamento remunerado de peças que usam a frase “Se Flávio Bolsonaro ganhar, você perde”. Os anúncios listam supostas perdas em farmácia popular, SUS, aposentadoria, salário mínimo e outros benefícios.
Não para por aí. A determinação vale também para variações do material e para qualquer tentativa de contornar a decisão. Ou seja, trocar umas palavras e subir o mesmo anúncio de novo não resolve.
A campanha do medo, nas palavras do ministro
Um dos vídeos mirava eleitores descontentes e mencionava pontos como “não faz o L, nem a arminha”. Segundo o material, a vitória de Flávio causaria danos em várias áreas, e a peça terminava com “as bets vão voltar com tudo”. A campanha de Lula impulsionava esses conteúdos nas redes digitais.
Na decisão, Mendonça foi direto ao ponto:
“A estrutura narrativa não se dirige à apresentação de propostas, atributos ou realizações dos representados. Ao contrário, está concentrada na exposição de supostos prejuízos decorrentes da eleição do adversário”, afirmou o ministro.
Em outras palavras: para o relator, a propaganda não diz o que o candidato do PT fez nem o que pretende fazer. Só tenta assustar o eleitor com o que o adversário supostamente tiraria dele.
Até onde vai a suspensão
A medida tem limites. Ela atinge apenas os anúncios pagos, e não as publicações orgânicas. O mérito do caso e uma eventual multa serão analisados depois. A veracidade das afirmações também será examinada em uma etapa seguinte. Flávio Bolsonaro pediu ainda a aplicação de multa ao presidente.
O que vem agora
A decisão chega a poucos dias do segundo turno, e a campanha de Lula terá de adequar sua comunicação digital. O caso aguarda a manifestação das partes e a deliberação sobre responsabilidades individuais e sanções financeiras. A pergunta que fica é se o PT conseguirá sustentar o discurso sem o impulsionamento pago que tinha escolhido como arma.
Análise do Giro
Quando um ministro registra que a peça não traz propostas nem realizações, e sim a exposição de supostos prejuízos, o recado é incômodo para quem governa e pede mais quatro anos. Uma campanha que depende de assustar o eleitor, em vez de mostrar resultados, passa a imagem de que tem pouco a apresentar. Cabe à Justiça Eleitoral decidir o mérito, mas o eleitor tem o direito de ouvir propostas, não apenas alarmes.
Com informações de Topic News.



