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Política

Lula chama de “absurdo” suspensão de canal de Janones e ataca a Justiça

Na Avenida Paulista, o petista reagiu à decisão do TSE contra o canal de 3,3 milhões de seguidores e falou em "decisões tendenciosas". O ministro e a campanha de Flávio têm outra versão.

Lula chama de "absurdo" suspensão de canal de Janones e ataca a Justiça
Foto: Ricardo Stuckert/PR / CC BY 2.0 (Luiz Inácio Lula da Silva)

Lula perdeu a paciência com a Justiça Eleitoral em plena Avenida Paulista. Neste domingo (11/10), durante ato de campanha em São Paulo, o petista classificou como “absurdo” a decisão do TSE que suspendeu o canal do deputado Janones, com cerca de 3,3 milhões de seguidores, a poucos dias do segundo turno.

A decisão foi publicada no fim da manhã. À tarde, o presidente já estava no palanque com a resposta pronta.

“Decisões tendenciosas”: o ataque de Lula

Lula não escondeu o incômodo. “Eu acho um absurdo. Acho que nossos advogados vão ter que entrar com pedido de explicação. Há alguns dias estou percebendo muitas decisões tendenciosas contra a nossa candidatura”, afirmou.

Ele foi além e cobrou das instituições: “Não vamos permitir que seja fechado um canal que um deputado que está pedindo para as pessoas votarem em mim. Não é possível que o STF não tenha um comportamento civilizado, republicano de permitir que as eleições fluam sem interferência da Justiça”.

Ou seja: o candidato à reeleição, que aparece atrás nas urnas, passa a acusar a Justiça de agir contra ele. A fala atinge o tribunal que decide o jogo eleitoral e é feita em plena reta final.

O que a campanha de Flávio alega

A suspensão nasceu de um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro. Segundo o grupo do candidato, o canal servia de estrutura de desinformação coordenada no segundo turno. A campanha afirma que os integrantes eram orientados a agir “como robôs” para replicar em massa afirmações que a própria Justiça Eleitoral já havia reconhecido como falsas.

Esse é o ponto que Lula não enfrentou em sua fala. Ele não respondeu, ao menos na declaração divulgada, à acusação central de que o canal repetia conteúdo já barrado.

A resposta do ministro

Na avaliação de Nunes Marques, ordens pontuais de remoção de mensagens tornaram-se insuficientes. O magistrado registrou: “A liberdade de expressão não é salvo-conduto para o ilícito eleitoral, e a paridade de armas entre os candidatos não sobrevive à conversão de uma ferramenta de comunicação em instrumento de desinformação em massa às vésperas do pleito”.

Palanque em São Paulo

O ato na Paulista é o terceiro de rua do presidente no segundo turno. Antes, ele esteve no Distrito Federal e no Rio Grande do Norte. Em São Paulo, contou com aliados, entre eles Fernando Haddad (PT).

E agora?

Lula disse que seus advogados vão pedir explicações. Resta saber se a defesa levará o caso a algum recurso formal e se a decisão do TSE será mantida até o dia da votação. O debate sobre os limites da liberdade de expressão na campanha deve ganhar ainda mais força.

Análise do Giro

É curioso ver quem chama de “interferência” uma decisão fundamentada pelo ministro na tentativa de conter a replicação de conteúdo já considerado falso pela Justiça. Liberdade de expressão é um valor central, e o Giro defende que ela seja protegida com rigor. Mas o argumento de Lula perde força ao não responder à acusação concreta de que o canal repetia afirmações já barradas, enquanto o presidente aposta na tese de perseguição para mobilizar sua base.

Com informações de Metrópoles Eleições.

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