O dia da votação da PEC que acaba com a escala 6×1 no Senado começou com provocação e com um aviso que preocupa quem empreende. Nesta quarta-feira (14/10), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), disse que Lula obrigou o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) a “fazer o L”. Em seguida, descartou qualquer compensação financeira às empresas, justamente a condição que Flávio colocou ao declarar apoio.
“O Lula convenceu ele, né?”
Em conversa com jornalistas no Senado, Guimarães atribuiu a mudança de posição do adversário à pressão popular. “As ruas e as redes obrigaram, e o Lula obrigou ele a ‘fazer o L’. Mas eu estou aqui no plenário para ver se ele vai ‘fazer o L’ na hora do voto”, afirmou.
O ministro também classificou o apoio de Flávio como “conversa fiada”. Segundo ele, os senadores do PL nunca votaram a favor da matéria e a proposta do partido era outra.
O que Flávio de fato disse
Flávio anunciou o voto favorável na terça-feira (13/10), depois de visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao explicar a decisão, afirmou que atenderia à vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros. Defendeu, porém, que o governo compensasse financeiramente as empresas pelos custos da redução da jornada.
A PEC que o Senado vota hoje, defendida por Lula, reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem corte de salário, e garante dois dias de descanso remunerado por semana.
Governo fecha a porta para as empresas
É aí que o discurso do governo esbarra no bolso de quem contrata. “Nunca um governo deu tanto incentivo para a classe empresarial quanto os governos do PT. Portanto, não tem compensação”, declarou Guimarães. Ele argumentou que várias empresas já reduziram a carga horária sem contrapartidas federais.
O ministro admitiu ainda que muita coisa ficará em aberto. Após a aprovação, o Congresso terá de regulamentar a situação de categorias com jornadas diferenciadas. “Essas questões todas serão elaboradas, discutidas e votadas em lei complementar”, disse.
A alternativa da direita para 2027
Guimarães acusou Flávio de apoiar a PEC só para, se eleito, “desfazer tudo aquilo que o Senado está fazendo”. Nesta quarta, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que o partido pretende tentar aprovar em 2027 uma PEC que abre caminho para o pagamento por hora trabalhada. A proposta é do senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, e o candidato a endossou.
O próximo passo é o plenário do Senado. O voto de hoje mostrará quem votou a favor e, depois, o debate sobre a regulamentação e sobre quem arcará com o custo da mudança.
Análise do Giro
O ministro quer transformar uma votação sobre o trabalhador em cena de campanha, mas deixa sem resposta a pergunta central: quem paga a conta? Ao rejeitar qualquer compensação e empurrar os detalhes para uma lei complementar futura, o governo transfere o risco a pequenos e médios empregadores, que sustentam o emprego formal. Flávio, ao pedir apoio às empresas, mostra que ouvir o trabalhador não precisa significar ignorar quem gera o emprego.
Com informações de Metrópoles Eleições.



