A reta final do segundo turno de 2026 virou um campo minado de boatos, e a Justiça já começou a responder. A Justiça de Alagoas condenou a ex-senadora Soraya Thronicke a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais ao deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). O motivo: ela o acusou de estupro de vulnerável contra uma menina de 13 anos.
A condenação é o caso mais grave de uma lista que a campanha de Flávio diz ter precisado desmentir, enquanto o candidato aparece à frente nas pesquisas após vencer o primeiro turno.
O “tesouraço” que a campanha nega
Um dos boatos mais repetidos afirma que Flávio pretende fazer um “tesouraço” em direitos de aposentados e de trabalhadores de baixa renda. Segundo o material de origem, o próprio Lula chegou a dizer que o adversário cortaria benefícios dos mais pobres. A resposta da campanha foi direta: nenhum benefício será retirado dos brasileiros.
O Estadão Verifica classificou como falsa a história de corte de aposentadorias, do 13º salário e do Pé-de-Meia. Segundo o veículo, um vídeo divulgado por militantes de esquerda foi alterado com inteligência artificial.
Padroeira, PIX e Farmácia Popular
Outra narrativa diz que Flávio quer tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A história ganhou repercussão na Globo News e, de acordo com a fonte, foi ecoada por políticos, militantes e até por Lula. Flávio acusou a CNBB de participar da fake news, e os bispos responderam que mentira não se combate com mentira.
Há ainda o alerta de que o PIX poderia acabar. A historiadora Lilia Schwarcz divulgou um vídeo afirmando que o sistema pode deixar de existir caso Flávio vença. A campanha contestou na hora: disse que o PIX é uma conquista de inclusão financeira, criado no governo de Jair Bolsonaro, e rejeitou qualquer imposto ou taxa sobre as transações.
Vídeos feitos com inteligência artificial também circularam dizendo que um governo Flávio acabaria com o SUS e a Farmácia Popular. O candidato precisou vir a público para afirmar que vai manter o Bolsa Família e a Farmácia Popular.
O caso do “Exército de Lula” e a sombra de Janones
No front judicial, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército de Lula” por disseminação de desinformação. Pouco depois, o corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva reverteu a decisão e restabeleceu o espaço. A campanha de Flávio chamou a liberação de “estarrecedora” e viu nela sinal de complacência com a mentira. Nunes Marques voltou a pedir apuração urgente sobre os conteúdos do canal.
O deputado André Janones, ligado à estratégia digital petista, também entrou no debate. Em 2023, ele lançou o livro “Janonismo Cultural”, sobre os bastidores da comunicação digital da campanha de Lula em 2022. Segundo reportagens da Gazeta do Povo e de O Globo, o autor relata episódios em que usou notícias falsas e táticas de desestabilização contra Jair Bolsonaro. O material chegou a ser usado em tentativa de reabrir pedido de cassação no Conselho de Ética da Câmara.
A campanha petista, por sua vez, montou uma força-tarefa digital com jovens eleitos e influenciadores de esquerda. Segundo o g1, ela inclui porta-vozes que distribuem diariamente narrativas unificadas, memes e missões de disparo em massa.
O que vem agora
O deputado Sóstenes Cavalcante afirma que os ataques não estão afetando a campanha de Flávio. Com a eleição se aproximando, a dúvida é se a Justiça Eleitoral vai endurecer contra a desinformação e se a condenação de Soraya abre um precedente para outros casos.
Análise do Giro
Chama atenção que a esquerda, tantas vezes à frente do discurso contra fake news, esteja agora no centro das acusações de espalhá-las, com um canal ligado ao PT, uma força-tarefa de disparos e uma condenação judicial por acusação gravíssima contra um adversário. Combater a desinformação vale para todos, e o eleitor merece uma disputa decidida por propostas, não por medo.
Com informações de Jornal da Cidade Online.



