A campanha da reeleição de Lula ganhou mais um episódio de tensão, desta vez em Santa Catarina. Nesta terça-feira (13), um participante de um ato em apoio ao petista, em frente à Catedral Metropolitana de Florianópolis, exibiu um cartaz com o rosto do conservador norte-americano Charlie Kirk colado sobre uma fotografia da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC). Kirk foi assassinado a tiros nos Estados Unidos em setembro de 2025.
O cartaz também trazia adesivos com a frase “Vote 13 Lula” e a inscrição “não representa SC”.
Não foi um caso isolado
O cartaz de Florianópolis veio dois dias depois de outro protesto contra a parlamentar, no domingo (11), em Goiânia (GO). Na ocasião, participantes penduraram um boneco com o rosto de Zanatta em um mastro e simularam um açoitamento. A encenação foi acompanhada da frase “Sinhá Zanatta no tronco”.
As manifestações vieram na sequência de um vídeo publicado pela deputada depois de sua reeleição, em 4 de outubro. Nas imagens, ela aparece com um relho, espécie de chicote de couro trançado, em referência à expressão regional “ganhou de relho”, usada para descrever uma vitória expressiva.
Votação histórica e ameaças
O motivo da fúria dos adversários é, no mínimo, curioso: Zanatta foi reeleita com 560.233 votos, a maior votação já registrada por um candidato a deputado federal em Santa Catarina. Ou seja, quem diz que ela “não representa SC” enfrenta a escolha de mais de meio milhão de catarinenses nas urnas.
A deputada afirmou que avalia medidas jurídicas em resposta aos episódios. Ela também relatou ter recebido ameaças de morte pelo WhatsApp, incluindo uma mensagem que lhe dava 30 dias para deixar o país.
Lula comentou o caso do chicote
O próprio Lula chegou a comentar o episódio do vídeo em um encontro com jovens parlamentares, sem citar o nome da deputada: “Tem uma em Santa Catarina que anda com chicote na mão e foi muito votada”.
Zanatta, por sua vez, acusou os adversários políticos de intolerância e disse que não pretende recuar diante das manifestações.
Clima pesado também em São Paulo
O ambiente de tensão não se limitou ao Sul. Na mesma semana, em São Paulo, atos em favor de Lula promoveram, no domingo (11), destruição de patrimônio público e privado na Avenida Paulista e, nesta terça-feira (13), agressões a um repórter da Jovem Pan.
O que vem agora
Com o segundo turno se aproximando, o próximo passo a observar é se Zanatta levará de fato o caso à Justiça, como disse avaliar, e se a campanha de Lula vai se manifestar sobre o cartaz exibido em Florianópolis. A fonte não registra, até aqui, nenhuma reação oficial da campanha petista ao episódio.
Análise do Giro
Usar o rosto de um homem assassinado por suas ideias para atacar uma parlamentar eleita com votação histórica não é debate político: é intimidação simbólica. Cabe a todos os lados, inclusive à campanha de Lula, repudiar sem rodeios esse tipo de cena, porque a liberdade de expressão que protege o protesto é a mesma que exige respeito a quem pensa diferente e foi escolhido pelo voto popular.
Com informações de Revista Oeste.



