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Política

Haddad chamou de ‘demagógica’ a desoneração de combustíveis; agora Lula zera imposto

Em 2023, Haddad atacou o corte de tributos de Bolsonaro como medida eleitoral. Agora, a 16 dias do 2º turno, o governo Lula zera os impostos federais da gasolina.

Haddad chamou de ‘demagógica’ a desoneração de combustíveis; agora Lula zera imposto
Foto: Ricardo Stuckert / CC BY 2.0 (Fernando Haddad)

O discurso de ontem virou munição contra o governo de hoje. Em 2023, o então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou a desoneração dos combustíveis do governo Bolsonaro como medida eleitoral. Na sexta-feira (9/10), a 16 dias do segundo turno, o governo Lula anunciou um pacote que zera os impostos federais sobre a gasolina. A lembrança, publicada pela coluna de Igor Gadelha no Metrópoles, expõe uma contradição difícil de explicar.

“Medidas demagógicas”: o que Haddad dizia em 2023

Em fevereiro de 2023, cerca de dois meses depois de assumir a Fazenda, Haddad foi às redes avisar que reoneraria os combustíveis. Segundo ele, as medidas do governo anterior comprometiam a sustentabilidade fiscal.

A frase ficou registrada: “Precisamos recompor as receitas que foram prejudicadas pelo governo anterior ao tentar reverter o quadro das eleições com medidas demagógicas que comprometeram muito a sustentabilidade fiscal do Brasil para 2023”.

Na época, Haddad disse que manteria a desoneração do óleo diesel e do combustível de aviação. Etanol e gasolina voltariam a ser tributados, com retomada de R$ 0,02 e R$ 0,47 por litro, respectivamente. Ele ainda completou: “Com a redução de R$ 0,13 pela Petrobras, o cidadão vai sentir o reajuste da gasolina em R$ 0,34”.

Agora, a conta de R$ 5,2 bilhões por mês

O cenário mudou, e o tom também. O pacote anunciado pelo governo Lula tem quatro medidas para conter a alta dos combustíveis. A principal é zerar os impostos federais sobre a gasolina.

O custo é pesado. O Tesouro abrirá mão de cerca de R$ 5,2 bilhões por mês. Desse total, R$ 2,8 bilhões correspondem à gasolina, R$ 1,6 bilhão ao diesel e R$ 800 milhões ao etanol.

O timing também chama atenção. O anúncio saiu na reta final da campanha, com o segundo turno a pouco mais de duas semanas. Foi exatamente esse tipo de proximidade com as urnas que Haddad usou, em 2023, para criticar a política do antecessor.

O que vem pela frente

A oposição tende a explorar o contraste. De um lado, o ministro que acusou o governo anterior de tentar “reverter o quadro das eleições”. De outro, um governo que corta tributos de combustíveis em plena disputa eleitoral e abre mão de bilhões por mês. Resta saber se o Planalto vai explicar a mudança de critério e como pretende compensar a perda de arrecadação.

Análise do Giro

Este portal defende menos impostos, e qualquer alívio no preço dos combustíveis é bem-vindo em princípio. O problema é a coerência: quem classificou como “demagógica” uma desoneração com fins eleitorais agora adota a mesma receita, em escala bilionária, a poucos dias do voto. Cabe ao governo explicar por que o que era irresponsável em 2023 passou a ser solução em plena campanha.

Com informações de Metrópoles Eleições.

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