A bagunça foi denunciada por quem manda na casa. Em Brasília, na quarta-feira (7), o presidente Lula disse a parlamentares de esquerda recém-eleitos que esta foi a campanha menos organizada de que participou desde 1989. A frase foi dita no Hotel Meliá, a 18 dias da decisão do segundo turno, marcado para 25 de outubro, com Flávio Bolsonaro na frente.
“Disse para o Edinho…”
Segundo a Jovem Pan, que reproduziu material do Estadão Conteúdo, Lula contou ter dito ao presidente do PT, Edinho Silva, que “essa foi a campanha menos organizada” de que participou desde 1989. O petista também afirmou que fez uma campanha “aquém da minha possibilidade” e que “poderíamos ter feito mais”.
Os números do 1º turno
Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno com 47,03%. Lula ficou com 45,16%. A diferença é de cerca de 2,2 milhões de votos. Em Minas Gerais, Flávio abriu 588.612 votos de vantagem.
Lula disse não enxergar como não ganharia já no primeiro turno “pelas entregas que fizemos”. E completou: “Isso não foi suficiente para que uma parcela da sociedade entendesse o que fizemos.” Ou seja: na leitura do presidente, o problema foi de comunicação. Boa parte do eleitorado, porém, pode ter entendido e votado de outra forma.
Selfies diárias e transmissão fora do ar
Segundo o Metrópoles, a coordenação promoveu mudanças para realinhar a estratégia. Lula passou a gravar vídeos em formato selfie e, de acordo com aliados, prometeu um por dia, após pedidos de deputados jovens. Na quarta foram nove publicações no perfil dele. A campanha também quer reforçar a presença nas universidades e entre estudantes, com a chamada bancada jovem.
Houve ainda um episódio curioso no mesmo dia. Segundo a Jovem Pan, minutos depois de Lula criticar os organizadores, a transmissão do encontro no YouTube do PT foi derrubada por moderadores e voltou ao ar alguns minutos depois. A reportagem não informa o motivo.
Cargos e partido único
Na mesma reunião, Lula disse que um dia a esquerda estará toda em um único partido. Atribuiu a divisão atual, principalmente, à disputa por cargos no governo.
O outro lado se organiza
Enquanto o PT tenta arrumar a casa, Republicanos, União e PP formalizaram apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno.
A dúvida agora é se Lula consegue, em pouco mais de duas semanas, reorganizar uma campanha que ele mesmo classificou como a menos organizada em mais de três décadas. O eleitor, que no primeiro turno já deu a Flávio a dianteira, dirá no dia 25 se as selfies bastam.
Análise do Giro
Quando o próprio candidato admite desorganização e atribui parte do tropeço à falta de compreensão do eleitor, a autocrítica fica pela metade. O voto costuma refletir o que o cidadão sente no bolso e na rotina, e nenhuma coordenação, por melhor que seja, substitui isso. O segundo turno dirá se o recado das urnas foi de fato ouvido.
Com informações de Revista Timeline.



