O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, abriu o jogo à revista Veja com áudios e documentos e lançou uma bomba sobre o entorno do governo Lula. Ele acusa o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e o ministro Alexandre Padilha de envolvimento em um esquema de pagamentos ligado a operações com fundos de pensão de servidores federais. Todos os citados negam.
30 milhões em espécie e 10% de tudo
Segundo Vorcaro, R$ 30 milhões em espécie foram entregues ao Instituto Lula, gerenciado por Paulo Okamotto. O dinheiro teria servido, supostamente, para financiar o documentário de Oliver Stone sobre o presidente.
Não para por aí. O banqueiro afirma que Vaccari exigiu 10% de tudo que o Master captasse nos fundos de previdência. Se a operação desse certo, o PT embolsaria R$ 1 bilhão, conforme o relato.
O papel de Padilha e do operador “Júlio”
A narrativa de Vorcaro chega ao centro do governo. Ele cita Alexandre Padilha, então ministro da Secretaria de Relações Institucionais, e o secretário-executivo da pasta, Olavo Noleto. Um operador identificado apenas como “Júlio” faria a ponte com os presidentes dos fundos estatais.
Mensagens indicam que R$ 500 mil foram cobrados como adiantamento da propina no mesmo dia em que o Master foi autorizado a operar. Vorcaro também relata uma frase que atribui a Padilha: “O que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”.
A cronologia do caso
Pelo relato, tudo começa no início de 2024, com a formação de uma equipe interna para captar recursos junto aos fundos federais. Em 29 de abril de 2024, o Master entra na “lista exaustiva” e é autorizado a operar. Em 12 de julho de 2024, o caso vaza para a imprensa e as operações travam.
Em 23 de outubro de 2024, ocorre um segundo jantar em Brasília entre Vorcaro, Padilha e Olavo. Em agosto de 2025, o banqueiro encerra os contatos com os operadores, após o fracasso das captações.
Negativas e um obstáculo na PGR
O lado de lá rebate. Lula afirmou que “jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira” de Vorcaro. Padilha e Noleto também negaram qualquer relação com o banqueiro.
Há ainda um detalhe que pesa: a Procuradoria-Geral da República descartou a denúncia inicial por falta de provas materiais. Isso aconteceu mesmo com Vorcaro oferecendo mensagens, registros de voos e comprovantes de pagamento.
E agora?
A história está longe do fim. Vorcaro trabalha em uma proposta revisada de delação, a terceira tentativa dele. O rumo das apurações dependerá de como as autoridades avaliarem o novo material, diante das negações categóricas dos acusados. Por ora, são acusações de um banqueiro, que precisam ser confirmadas ou derrubadas pelas provas.
Análise do Giro
Quando o assunto é o dinheiro de aposentadoria de servidores, o país exige transparência total, e não bastam negativas nem arquivamentos rápidos. Acusações não são condenações, e os citados têm direito à defesa. Mas a existência de mensagens, registros de voo e comprovantes, citados por Vorcaro, justifica uma investigação séria e independente, sem blindagem política, em respeito ao contribuinte e ao patrimônio de quem trabalha.
Com informações de Topic News.



