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Justiça

PF bate à porta de desembargador do TJRJ suspeito de favorecer empresas

Operação “Em Nome do Pai” leva agentes federais à casa de Alexandre Scisinio e de familiares; documentos, celulares e dinheiro foram apreendidos.

PF bate à porta de desembargador do TJRJ suspeito de favorecer empresas
Foto ilustrativa: Bidgee / CC BY-SA 3.0

A Polícia Federal foi à casa de um desembargador do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Na quinta-feira (8), a operação “Em Nome do Pai” mirou Alexandre Scisinio, investigado por suspeita de ter favorecido empresas dos setores imobiliário e da construção civil por meio de decisões judiciais. Nos endereços dele e de familiares, os agentes apreenderam documentos, celulares e dinheiro.

Três suspeitas pesadas

Segundo a PF, o magistrado é investigado por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro. São apurações em andamento, e a corporação não apresentou condenação nem prova final contra ninguém.

O caso não nasceu do nada. De acordo com a PF, a investigação partiu de um procedimento administrativo aberto pela Corregedoria Geral do TJRJ para examinar a conduta do próprio desembargador.

Imóveis, descontos e pagamentos indiretos

A suspeita é que vantagens indevidas tenham chegado à família do magistrado por três caminhos: imóveis, descontos comerciais considerados excepcionais e pagamentos indiretos. Pessoas físicas e empresas ligadas aos investigados também teriam sido usadas nas operações, segundo a PF.

A linha do tempo também chama atenção. Os fatos ligados à corrupção teriam ocorrido quando Scisinio ainda era juiz de primeira instância. Já as suspeitas de lavagem de dinheiro, conforme a PF, teriam se estendido depois.

Quem é o alvo

Scisinio foi promovido a desembargador pelo Órgão Especial do TJRJ em janeiro deste ano. Antes disso, passou cerca de duas décadas como titular da 9ª Vara Cível de Niterói, onde construiu a maior parte da carreira.

De acordo com a Associação dos Magistrados do Estado do Rio de Janeiro (Amaerj), ele começou como defensor público, em 1982, e entrou na magistratura dez anos depois. Passou por Vassouras, Paty do Alferes, Miguel Pereira, Cabo Frio, São Gonçalo e Niterói, entre outras comarcas. Atuou ainda nas Turmas Recursais dos Juizados Especiais Cíveis, foi juiz eleitoral da 71ª Zona Eleitoral e deu aulas de Direito Civil e Direito Comercial na FGV.

A trajetória segue uma tradição familiar: o pai, Alaor Eduardo Scisinio, era advogado e professor e escreveu livros sobre a defesa da causa racial.

O que vem agora

O material apreendido deve ser analisado, e os próximos passos dependem do avanço das investigações. A matéria não traz manifestação da defesa do desembargador, e o espaço segue aberto para que ele se pronuncie.

Análise do Giro

Quem julga disputas bilionárias do mercado imobiliário precisa estar acima de qualquer suspeita, e é saudável que a apuração tenha começado na própria Corregedoria do tribunal. Num país que defende o livre mercado, a segurança jurídica depende de juízes imparciais, e ela só se sustenta com investigação séria, direito de defesa e presunção de inocência respeitados. Se as suspeitas se confirmarem, o dano vai além de um nome: atinge a confiança de quem empreende e produz.

Com informações de Jornal da Cidade Online.

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