Salvar mais soldados no meio do fogo cruzado: é isso que as Forças de Defesa de Israel (IDF) dizem ter conseguido desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023. Segundo dados militares apresentados à Fox News Digital em Jerusalém, a letalidade entre os feridos em combate caiu de 15%, na guerra de 2006 contra o Hezbollah, para 7,1% em 2023. E o Exército dos Estados Unidos já tomou nota.
De 15 a 20 minutos para até 4
O número mais impressionante é o tempo de resposta. Um especialista médico sênior da IDF afirmou que, na Segunda Guerra do Líbano, em 2006, levava de 15 a 20 minutos para o suporte avançado de vida chegar a um ferido. Hoje, segundo ele, o socorro chega imediatamente ou em até 4 minutos.
Parte da explicação está na linha de frente. Há médicos posicionados no campo de batalha, inclusive um em cada companhia, o que, nas palavras do especialista, permite tomar decisões críticas logo no início do atendimento. Helicópteros levam os feridos graves aos hospitais, em uma evacuação que ele descreveu como rápida.
Sangue e plasma no ponto do ferimento
Outra mudança está no combate à hemorragia. O especialista disse que a IDF dá ênfase ao uso de hemoderivados desde 2013 e é a primeira organização médica a usar plasma no local do ferimento, em vez de soro fisiológico (“água e sal”, como ele resumiu).
Para isso, a IDF montou um sistema de fornecimento rápido de sangue. Em um exemplo citado, bolsas de sangue eram levadas em caixas térmicas nas costas dos socorristas para conter hemorragias. O método, segundo ele, “salvou números significativos” de soldados.
Há ainda um sistema de coleta e transmissão de dados em rede que permite a cada profissional da cadeia de atendimento ver as informações do paciente. O especialista afirmou que o sistema teve resultados muito bons.
Os EUA querem aprender
O interesse americano é oficial. Um relatório do Exército dos EUA de abril de 2026, com 78 páginas e o título “Israeli Defense Force Medical Lessons Learned”, defende a necessidade urgente de absorver os avanços israelenses. Os autores alertam que Israel teve de passar por um “processo doloroso de transformação” que os americanos ainda têm a chance de evitar. “A hora de se preparar é agora”, diz o texto, que acrescenta que ter apenas habilidades clínicas e táticas é insuficiente.
A via é de mão dupla. O especialista israelense afirmou que o sistema da IDF se apoiou em um estudo americano de 2012, “Death on the battlefield (2001–2011)”, sobre o atendimento médico na Guerra do Iraque. Um porta-voz da IDF disse que o estudo do Exército americano foi uma colaboração conjunta, e que oficiais americanos foram aprender com os israelenses.
O médico Marc Siegel, analista sênior de saúde da Fox News e professor da NYU Langone, afirmou que os avanços de campo, incluindo técnicas cirúrgicas e o tratamento para queimaduras Nexobrid, ajudam não apenas os feridos de hoje, mas impulsionam a medicina em todo o mundo.
O pano de fundo
A guerra em Gaza começou depois que o Hamas, grupo classificado como terrorista pelos EUA, invadiu o sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Segundo a Fox News, mais de 1.200 pessoas foram mortas, entre elas mais de 40 americanos, e 251 foram sequestradas. A reportagem descreve o conflito como uma guerra em várias frentes com apoio do regime iraniano.
O que vem agora? Com um relatório de 78 páginas já na mesa e a cooperação em curso há anos, a tendência é que as lições israelenses de socorro rápido, sangue na ponta e dados em rede influenciem o treinamento das tropas americanas.
Análise do Giro
Os números mostram que, quando um país trata a vida de seus soldados como prioridade, a tecnologia, a doutrina e o treino produzem resultados concretos, e que a aliança entre democracias ocidentais rende frutos práticos, com aprendizado dos dois lados. Cabe lembrar que os dados vêm da própria IDF e do relato de seus porta-vozes, mas o fato de o Exército americano ter dedicado um estudo inteiro ao tema indica que a lição foi levada a sério.
Com informações de Fox News.



